Falta de eficácia, falta de golos... Falta uma segunda grande figura a este Benfica?

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02-02-2026 11:45

Ao longo da história do futebol, tem-se tornado algo clara a evidência de que uma equipa enquanto organismo coletivo tende, regra geral, a sobrepor-se a um conjunto excessivamente dependente de individualidades para sustentar o seu rendimento e sucesso desportivo.  Ainda que a presença regular de figuras decisivas seja fundamental, é como estrutura global que uma equipa consegue atingir objetivos e conquistar troféus de forma consistente. O jogo do {TEAM_LINK|4|Benfica} frente ao Real Madrid, para a {COMPETITION_LINK|3|Liga} dos {COMPETITION_LINK|27|Campeões}, surge como um exemplo quase perfeito dessa lógica — e é precisamente sob essa mentalidade que a equipa encarnada se tem regido ao longo da presente temporada. {IMGMED|ESQ|1412022} Mourinho, inclusive, revelou isso mesmo na conferência de imprensa depois da vitória por 1-0 frente ao {TEAM_LINK|2175|Famalicão}, em dezembro.  «E não é que nós tenhamos no nosso plantel aqueles jogadores que são capazes de, por si só, e só, levantar estádios, aqui não há nem ‘Mbappés’, nem {PLAYER_LINK|547737|Vinicius}, nem {PLAYER_LINK|1013243|Yamal}, essa gente não está obviamente aqui. Fazemos equipa, somos equipa, trabalhamos como equipa, crescemos como equipa, e, quando não é possível fazer um jogo brilhante, como hoje, é possível ganhar», disse o técnico depois do triunfo com um golo solitário de {PLAYER_LINK|459841|Pavlidis}. No entanto, se em várias ocasiões ao longo da época Vangelis Pavlidis acabou por surgir como a referência ofensiva solitária — a âncora à qual o {TEAM_LINK|4|Benfica} se agarrou nos momentos decisivos —, o empate sem golos frente ao {TEAM_LINK|4336|Tondela} voltou a expor um problema estrutural: a ausência de uma segunda figura capaz de se afirmar quando o jogo aperta, quando o tempo escasseia e quando as soluções coletivas deixam de ser suficientes. {IMGMED|DIR|1430325} Tal como já havia acontecido frente a {TEAM_LINK|15|SC Braga}, {TEAM_LINK|9|FC Porto} e {TEAM_LINK|64|Juventus}, por exemplo, o Benfica dominou mas não foi capaz de traduzir essa superioridade em eficácia e sobretudo, em golos. Isto porque jogos como aquele que se registou frente ao Real Madrid não se registam todos os dias e, normalmente, a falta de eficácia paga-se caro. Nesse sentido impõe neste momento uma pergunta no panorama encarnado: Faltará ao Benfica uma segunda grande figura ofensiva? Pavlidis, Pavlidis e…quase sempre Pavlidis Enquanto principal referência ofensiva, Pavlidis soma números que, isoladamente, impressionam. São já 27 golos e cinco assistências, perfazendo 32 participações diretas em golos em 38 jogos realizados esta temporada. Uma influência clara, inegável, mas que começa a revelar uma dependência silenciosa. Nos últimos tempos, mesmo longe de exibições dominantes, o avançado grego tem surgido sobretudo em momentos-chave, salvando o Benfica de cenários mais comprometidos. A questão que se coloca não é sobre a sua qualidade, mas sobre a estrutura que o rodeia. Estará o Benfica excessivamente refém dessa capacidade decisiva? {IMGMED|DIR|1413999} Os dados ajudam a sustentar a dúvida: em 19 jogos esta época em que Pavlidis não marcou, o Benfica não venceu em 11 ocasiões. Não se trata de uma relação causal absoluta, mas de uma tendência clara — quando Pavlidis não aparece, o Benfica sente dificuldades acrescidas para vencer. «Falta de ADN goleador», ou falta de… Ivanovic? Depois do nulo em Tondela, José Mourinho explicou que a falta de eficácia da equipa se deve, em certa parte, à falta de um «ADN goleador», relembrando também o jogo frente ao Rio Ave para o campeonato. Nesse sentido, Mourinho poderá mesmo ter razão. Isto porque, Prestianni, Sudakov e Schjelderup têm oferecido muito futebol ao Benfica desde que começaram a atuar conjuntamente atrás de Pavlidis, no entanto, não oferecem golos, pelo menos de forma regular. Olhando para a lista de melhores marcadores da equipa, o retrato é revelador. Depois de Pavlidis (27 golos), surge Ivanovic com apenas cinco. Seguem-se Sudakov, Aursnes e Schjelderup, todos com quatro. Para uma equipa que iniciou a época com ambições claras em todas as frentes, o fosso é demasiado acentuado. {IMGMED|ESQ|1339429} Ivanovic, contratado por cerca de 20 milhões de euros e teoricamente a segunda figura ofensiva do plantel, parece hoje afastado do centro das decisões. O croata não saiu do banco nas últimas três jornadas do campeonato e, nas últimas cinco vezes que foi utilizado na Liga, nunca entrou antes dos 80 minutos. Um estatuto que levanta interrogações inevitáveis. Se outrora a sua entrada coincidia com momentos de desespero coletivo, hoje nem isso parece acontecer. A dúvida impõe-se: será Ivanovic apenas uma alternativa de recurso a Pavlidis ou o seu espaço foi definitivamente ocupado por Anísio Cabral, um jovem de apenas 17 anos?