Capdeville despede-se do Benfica: «Tudo o que sou hoje devo-o a este clube»

/ Andebol

25-06-2026 11:06

Depois de uma forte ligação ao Benfica, clube que começou a representar em 2009/2010 (a única exceção recaiu no Madeira SAD entre 2017 e 2019), Gustavo Capdeville vai rumar ao TT Holstebro, emblema dinamarquês que assegurou a sua contratação no passado mês de dezembro. Nas últimas horas, o guarda-redes concedeu a sua última entrevista enquanto jogador das águias. O internacional português, atualmente com 28 anos, falou aos microfones da BTV para se despedir dos adeptos encarnados. Na conversa publicada nas últimas horas, abordou o novo desafio que o espera, revisitou as diferentes etapas da sua passagem pelo Pavilhão Nº2 da Luz e destacou, em particular, a conquista da EHF European League como um dos momentos mais marcantes do seu trajeto neste conjunto. Gustavo Capdeville em discurso direto Aventura no TT Holstebro: «Agora começa um novo desafio, e é exatamente isso que procuro. Estive muitos anos em Portugal, construí o meu percurso no Benfica e sinto que chegou o momento de abraçar outras experiências, de sair da minha zona de conforto para continuar a evoluir e tornar-me um atleta melhor. É público que vou jogar na Dinamarca. Trata-se de um país de enorme referência no andebol internacional, com títulos em Jogos Olímpicos, Campeonatos da Europa e do Mundo, e onde estão alguns dos melhores jogadores da modalidade. Para mim, fez todo o sentido quando surgiu o interesse de um clube dinamarquês, acredito que é o contexto ideal para continuar a crescer. Se quero evoluir, quero estar onde estão os melhores. Por isso, acabou por ser uma decisão natural.» Anos no Benfica: «Quando cheguei era apenas uma criança, cheia de sonhos e muito feliz. Ainda estava a dar os primeiros passos na modalidade e não tinha ainda plena noção do que era o andebol. Foi um colega que me chamou para experimentar a modalidade e, a partir daí, tudo se transformou numa concretização de vários objetivos. Foram anos muito felizes. A vida é feita de desafios e, no Benfica, encontrei muitos ao longo do caminho - alguns mais exigentes, outros menos, mas todos importantes. A verdade é que só crescemos verdadeiramente quando somos postos à prova, e é isso que sempre procurei: sair da minha zona de conforto.  Ano após ano, surgiram novas metas que me obrigaram a superar-me e a procurar ser melhor todos os dias. Sinto-me satisfeito com o percurso que fiz, com a resiliência que fui desenvolvendo ao longo deste tempo e com a forma como consegui chegar ao mais alto nível. Devo muito ao Benfica e ao meu empenho. Chegar a este patamar deixa-me orgulhoso e realizado.» Conquista da EHF European League: «Já vivi muitos momentos marcantes na minha carreira, mas, sem dúvida, a conquista da EHF está no meu top três. Estar presente nos Jogos Olímpicos também foi algo de enorme dimensão, e na seleção nacional temos conseguido alcançar feitos muito importantes, o que me deixa profundamente realizado. Ainda assim, a EHF ocupa um lugar muito especial. Talvez não consiga dizer se foi o maior feito individual, porém, é o título mais significativo que conquistei. Fico muito feliz por ter ajudado a entregar esse troféu ao Benfica e por termos conseguido isso enquanto equipa. Tínhamos um grupo muito forte, com qualidade e união, e demonstrámos isso em campo, mesmo frente a adversários com orçamentos e recursos muito superiores. Mostrámos que o mais importante não é apenas o investimento, mas sim o coletivo, a forma como uma equipa funciona. Enfrentámos conjuntos de enorme qualidade e provámos que também nós éramos uma verdadeira equipa.» Mensagem aos adeptos: «O Benfica deu-me tudo. Tudo o que sou hoje devo-o ao Benfica. Naturalmente, também houve o meu trabalho e o meu esforço, no entanto, proporcionaram-me todas as condições para evoluir e crescer. Sempre acreditou em mim, sempre me deu ferramentas para trabalhar e melhorar. Claro que, depois, procurei corresponder dentro de campo. Mas a verdade é que, sem o Benfica, não estaria onde estou hoje. Tudo aquilo que consegui alcançar - as exibições, os títulos e a minha evolução - foi possível graças a este clube. Como é evidente, existe sempre o outro lado: o Benfica dá muito, no entanto, também exige muito. E eu tive de responder com trabalho, dedicação, resiliência e entrega total (...) Sei que as pessoas ficaram muito sensibilizadas com a minha declaração no fim do jogo frente ao Sporting: queria pedir desculpa, talvez não me tenha expressado da melhor forma. Não pelo que disse, mas pela forma como o disse.  Não temos sido tão competitivos como eu exijo de mim próprio e como acredito que o Benfica deve ser, sobretudo nos últimos três anos. Devemos uma palavra de desculpa aos adeptos. Espero sinceramente que o futuro seja mais positivo do que aquilo que vivemos recentemente. É essa exigência que tenho enquanto atleta e que o Benfica também deve assumir. Temos de lutar sempre por mais e não podemos permitir uma diferença tão grande em relação aos restantes clubes.»