Bélone Moreira: «Foi difícil despedir-me do Benfica, não do andebol»
/ Andebol
25-06-2026 13:29
Além de Gustavo Capdeville, também Bélone Moreira vai deixar o Benfica após vários anos consecutivos ao serviço do clube que começou a representar em 2015. O lateral direito / central português, atualmente com 36 anos, decidiu terminar a carreira no andebol e prosseguir o seu percurso profissional na área da saúde. Antes de encerrar este capítulo, concedeu uma entrevista à BTV, onde abordou várias temáticas ligadas ao seu trajeto desportivo. O capitão das águias refletiu sobre a decisão de abandonar a modalidade, recordou as 11 temporadas ao serviço deste conjunto e evocou a conquista da EHF European League como um dos momentos mais marcantes da sua caminhada. Bélone Moreira em discurso direto Adeus ao Benfica e ao andebol: «Foi difícil despedir-me do Benfica. Despedir-me do andebol, não. Senti que foi o fim de um ciclo, uma decisão que já estava pensada há algum tempo. Mas deixar o Benfica custou-me, foram muitos anos (11 no total), o clube deu-me imenso ao longo desse percurso. O Benfica ajudou a moldar a pessoa que sou hoje e deu-me as ferramentas necessárias para alcançar os meus objetivos. Proporcionou-me anos muito ricos, cheios de experiências, de pessoas que conheci e de competição ao mais alto nível. Sempre vivi com a exigência de nunca me sentir confortável ou satisfeito, e isso foi algo que valorizo muito na minha carreira. Foi também isso que me fez permanecer tanto tempo: a vontade constante de evoluir, de me adaptar a novos colegas, a diferentes realidades, a outros campeonatos e treinadores. Esse sempre foi o meu registo. A decisão já tinha sido tomada há dois anos, portanto, foi uma transição natural. Apesar de me sentir bem e de poder continuar a jogar muitos anos mais, estava numa zona de conforto que já não me preenchia. A minha vida é demasiado curta para me acomodar, e procuro sempre novos desafios e novas experiências. Entendi que este era o momento indicado para avançar. O Benfica teve um papel fundamental nesse processo, ajudando-me a crescer enquanto pessoa e a tornar-me alguém completamente diferente.» Diferentes capítulos na carreira: «Foi uma trajetória muito bonita, marcada por muitos desafios. Beneficiei muito das pessoas com quem me fui cruzando ao longo do caminho. Sou, em grande parte, o resultado dessas relações. Tive também muita sorte com os treinadores. No Benfica, os quatro que tive foram todos extraordinários, ainda que diferentes entre si, mas sempre excelentes profissionais. Só lhes posso agradecer, contribuíram muito para me tornar uma pessoa melhor. No Belenenses, igualmente, senti-me privilegiado: além de bons treinadores, tive muitos minutos de jogo, o que me deu uma experiência importante para mais tarde regressar ao Benfica ainda jovem e conseguir acrescentar valor a uma equipa experiente, que lutava por títulos ao mais alto nível. No Passos Manuel, passei pelos escalões de formação e tive a oportunidade de trabalhar com o meu pai como treinador, algo que me marcou bastante. Ele acompanhou-me até ao último dia, inclusivamente no último jogo da Taça, tal como a minha mãe, que sempre foi uma das minhas maiores referências e apoios.» Medicina: «Foi um grande desafio, o Benfica ajudou-me bastante ao longo desse processo, sendo bastante flexível comigo, permitindo-me, por exemplo, ir aos estágios de manhã e compensar o trabalho à tarde. Nos primeiros anos foi exatamente isso que aconteceu, e essa adaptação foi essencial para que conseguisse concluir o curso. O Benfica foi incrível nesse aspeto, sempre impecável, sempre disponível para ajudar e encontrar soluções. Eu procurei retribuir dessa confiança com o máximo profissionalismo, compensando sempre com trabalho e dedicação, tanto nos treinos como nos jogos. A medicina é também um desafio importante na minha vida e que, a partir de agora, terei de gerir com ainda mais cuidado. Conciliar as duas realidades nunca foi fácil, mas o Benfica facilitou-me muito esse percurso.» Braçadeira de capitão: «Mais uma vez, o Benfica deu-me uma oportunidade de enorme responsabilidade, ao permitir-me ser capitão e liderar uma equipa ao mais alto nível. Para mim, isso não tem preço. Foi uma experiência inacreditável, e procurei sempre dar o meu melhor em cada momento. Passei muito tempo a refletir sobre como podia ser o melhor capitão possível, como podia ajudar a equipa e como podia apoiar os meus colegas no dia a dia. Essa responsabilidade marcou-me profundamente. O Benfica, ao confiar-me a braçadeira, deu-me também ferramentas que levo comigo para o resto da vida.» Conquista da EHF European League: «Foi uma experiência incrível, uma memória muito forte - um título internacional que poucos esperavam. Conquistá-lo em Lisboa tornou tudo ainda mais especial, foi verdadeiramente a cereja no topo do bolo. Para mim, continua a ser o maior título das modalidades do Benfica. Foi uma época cheia de adversidades. Começámos logo com duas pré-eliminatórias frente a adversários muito fortes, em que pouca gente acreditava em nós. Nunca me esqueço: saiu o Rhein-Neckar Lowen na primeira eliminatória e, na sala de vídeo, o Chema disse que era exatamente a equipa que queria defrontar. Ficámos todos surpreendidos. Se o treinador, uma das figuras de liderança do grupo, tinha essa confiança, nós só tínhamos de o seguir. Isso deu-nos convicção e retirou-nos dúvidas. Fizemos um grande jogo e esse foi o primeiro passo para uma conquista que nunca mais vou esquecer.» Agradecimentos: «Agradeço profundamente aos adeptos que estiveram sempre presentes, tanto nos bons como nos maus momentos. O apoio constante fez toda a diferença ao longo do caminho. Quero deixar um agradecimento especial aos meus pais, que me acompanharam desde o primeiro dia até ao último. Sem eles, não seria a pessoa que sou hoje. Deram-me um apoio incondicional e um amor que me sustentou nos momentos mais difíceis, ajudando-me sempre a levantar e a seguir em frente. E há ainda a pessoa mais importante da minha vida, a Rita, a minha companheira. Não tenho palavras para a descrever. Ela faz um trabalho enorme, muitas vezes invisível, em casa, lidando com as minhas frustrações e garantindo toda a estabilidade necessária para que eu possa descansar e focar-me no desporto e na minha carreira. O seu papel é incalculável. Sem ela, não teria sido o jogador que fui. A todos eles, e também ao Benfica, deixo o meu agradecimento mais sincero.»
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