Agressões no Nun´Álvares-Benfica: o que dizem os relatórios do árbitro e do delegado da FPF

/ Futsal

31-05-2026 21:34

Os desacatos que marcaram o segundo jogo da final da Liga Feminina Placard, entre Nun'Álvares e Benfica, continuam a dar que falar. O encontro, que terminou com triunfo encarnado por 1-4 e deixou a final empatada a uma vitória para cada lado, esteve interrompido durante mais de 25 minutos após uma confusão nas bancadas que obrigou à intervenção da GNR. O zerozero teve acesso aos relatórios da equipa de arbitragem e do delegado da Federação Portuguesa de Futebol, documentos que permitem reconstruir com maior detalhe a sequência de acontecimentos que levou à interrupção da partida quando faltavam apenas 4 minutos e 19 segundos para o final. Tudo começou após a expulsão de {PLAYER_LINK|531401|Angélica Alves} por mão na bola. Segundo o relatório do delegado da FPF, durante o percurso da jogadora do Benfica em direção aos balneários existiu uma troca de palavras entre a atleta e adeptos presentes na bancada afeta ao Nun'Álvares, embora não tenha sido possível apurar o conteúdo das expressões trocadas. As imagens da transmissão do Canal 11 mostram ainda momentos de tensão imediatamente após esse episódio. Maria Pereira dirigiu-se à zona da bancada onde se encontrava o adepto identificado nos relatórios, trocando palavras com esse elemento do público numa fase em que o ambiente já era de elevada tensão. O relatório da equipa de arbitragem acrescenta um elemento adicional à cronologia. Segundo os árbitros, um adepto identificado como Nelson Bravo Rodrigues, antigo elemento da equipa técnica do Nun'Álvares, «debruçou-se sobre o varandim da bancada, adotando uma postura manifestamente provocatória e agressiva» em direção à jogadora expulsa. O relatório do delegado da FPF confirma igualmente a identificação de Nelson Bravo Rodrigues, embora descreva apenas uma «postura considerada provocatória». A equipa de arbitragem descreve depois aquele que considera ter sido o momento que desencadeou os confrontos generalizados. Segundo o documento, um adepto afeto ao Benfica abandonou a zona reservada aos adeptos encarnados e dirigiu-se à bancada do Nun'Álvares, onde alegadamente agrediu Nelson Bravo Rodrigues com um pontapé. «Este ato desencadeou um conflito generalizado na bancada, envolvendo vários adeptos de ambas as equipas», refere o relatório dos árbitros. Confrontos, isqueiro e gestos provocadores Já o relatório do delegado da FPF regista que, após estes acontecimentos, adeptos afetos ao Benfica deslocaram-se para a bancada destinada aos adeptos da equipa da casa, verificando-se confrontos físicos entre elementos das duas claques. Perante a escalada da situação, o gestor de segurança e o delegado da FPF recomendaram a recolha das equipas aos balneários, por não estarem reunidas as condições necessárias para a continuação da partida. O jogo foi interrompido às 19h38m30s e retomado apenas às 20h04, depois da chegada de seis militares da GNR ao recinto. Os relatórios registam ainda outros incidentes: «A equipa de arbitragem informou que, na sequência da expulsão da atleta do Sport Lisboa e Benfica referida, foi arremessado um isqueiro para a quadra de jogo. Segundo informação prestada pela equipa de arbitragem, o referido objeto atingiu a quadra de jogo, não tendo, contudo, atingido qualquer atleta ou outro agente desportivo.» Na reunião realizada após o encontro, a delegada do Benfica transmitiu ainda ao delegado da FPF que um adepto do Nun'Álvares terá efetuado «gestos provocatórios em direção à jogadora expulsa, alegadamente segurando os próprios genitais». O delegado esclarece, contudo, que não presenciou essa situação, limitando-se a registar a informação recebida. Já após o encontro, durante a reunião de segurança, elementos da GNR informaram ter identificado quatro indivíduos apontados pela equipa de segurança do Nun'Álvares como alegados intervenientes nas agressões ocorridas. O relatório refere ainda alegações de agressões envolvendo elementos ligados aos dois clubes. Os desacatos acabaram por motivar a intervenção da Guarda Nacional Republicana e culminaram com a detenção de cinco pessoas.