Ganhar em Alvalade vindo de trás: um hábito que o Benfica volta a confirmar
/ Futebol
20-04-2026 09:00
Numa fase em que o título já parecia mais uma miragem do que um objetivo concreto, a deslocação a Alvalade surgia como um teste decisivo para o {TEAM_LINK|4|Benfica}. Não tanto para sonhar com o primeiro lugar, mas para garantir que o segundo continuava ao alcance. Do outro lado, o {TEAM_LINK|16|Sporting} jogava com outro tipo de pressão: vencer para manter viva a luta pelo topo. E foi neste cruzamento de contextos que voltou a acontecer algo curioso. O Benfica entrou em Alvalade na terceira posição… e voltou a sair de lá a ganhar. Quatro anos depois do triunfo em 2021/22, o último do Benfica em Alvalade antes deste domingo, o cenário repetiu-se quase de forma espelhada: menos pressão, menos obrigação de assumir o jogo, e uma equipa mais confortável a explorar o erro do adversário. Como se, paradoxalmente, partir de trás libertasse o Benfica para competir melhor neste tipo de jogos. Estratégia pensada José {COACH_LINK|2|Mourinho} percebeu isso e montou o jogo em função dessa ideia. {IMGMED|ESQ|1475363} As entradas de {PLAYER_LINK|520353|Tomás Araújo}, {PLAYER_LINK|256199|Aursnes} e, sobretudo, {PLAYER_LINK|883294|Ivanovic}, foram sinais claros de um plano. Sem Pavlidis e com {PLAYER_LINK|261061|Rafa Silva} fora da posição mais adiantada, o Benfica perdeu referências na frente, mas ganhou maior capacidade de reação, mais critério nas transições e uma equipa preparada para jogar no erro do Sporting. Durante largos períodos, os encarnados deixaram a bola para o adversário. Mas nunca perderam o controlo do jogo. Foi um Benfica mais paciente do que dominante, mais estratégico do que avassalador. Entre o risco e a frieza: um dérbi decidido nos detalhes O jogo teve de tudo, como se exige num dérbi. Intensidade, momentos de descontrolo e decisões que pesam no resultado final. Nesse sentido, destacou-se o momento que mudou tudo: a grande penalidade falhada por Luis Suárez. Num jogo destes, falhar primeiro pode ser meio caminho andado para perder — e foi exatamente isso que acabou por acontecer. Pouco depois, o Benfica teve a mesma oportunidade… e não falhou. Schjelderup assumiu e colocou os encarnados na frente. A partir daí, o jogo entrou no território ideal para a equipa de Mourinho: organização, linhas juntas e saídas rápidas sempre que o Sporting se expunha. {IMGMED|DIR|1475360} Mesmo quando Morita empatou e devolveu o entusiasmo a Alvalade, o Benfica nunca perdeu a cabeça. Continuou à espera do momento certo. E esse momento apareceu já no fim. Rafa Silva, no sítio certo, à hora certa, a finalizar uma jogada simples — mas letal. Um autêntico golpe em Alvalade. Um padrão que se começa a formar… Esta vitória, nestes moldes, não é um caso isolado. No século XXI, já é a quinta vez que o Benfica ganha em Alvalade partindo da terceira posição, e isso diz muito sobre a forma como a equipa se posiciona nestes contextos. Sem o peso da liderança, o Benfica joga mais solto, mais pragmático, mais eficaz. Não precisa de dominar para ganhar, e isso, em jogos grandes, muitas vezes faz toda a diferença. {IMGMED|ESQ|1475365} Nas épocas de 2002/2003 e 2003/2004, quando tal se registou, os encarnados acabaram por terminar o campeonato no segundo lugar, contudo, em 2006/2007 e 2021/2022 a sorte foi outra, e o clube da Luz acabou a época na terceira posição. Tendo isso em conta, a posição final dos encarnados esta temporada poderá ditar, ou não, um novo registo positivo para os duelos em Alvalade. A outra face da moeda Se do lado encarnado se começa a desenhar um padrão positivo, do lado leonino começa a emergir um sinal de alerta. O Sporting voltou a falhar num jogo decisivo. E não é caso isolado. Nesta temporada, os leões não venceram qualquer confronto frente aos principais rivais (FC Porto, Benfica e SC Braga), somando apenas 4 pontos em 18 possíveis. Mais do que os resultados, preocupa a forma: dificuldades em gerir momentos-chave, menor eficácia nas áreas e uma certa fragilidade emocional quando o jogo entra em zonas de decisão. {IMGMED|DIR|1475353} Mesmo em casa, onde tradicionalmente se afirmava, o Sporting somou derrotas frente a Benfica e FC Porto — algo que não acontecia desde 2019/20. Num campeonato decidido em detalhes, este tipo de registo pode pesar, e muito.
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