Cláudio Braga, o <i>príncipe</i> português do Hearts: «Não vamos à Luz para ser enxovalhados»
/ Futebol
04-08-2026 19:42
Quis o destino que {TEAM_LINK|4|Benfica} e {TEAM_LINK|1106|Hearts} se defrontassem na terceira pré-eliminatória da {COMPETITION_LINK|28|Liga Europa}. Enquanto os encarnados ultrapassaram o St. Gallen na eliminatória anterior, os escoceses chegaram a esta fase depois de duas derrotas diante do Sturm Graz (4-0 e 0-2), mas na qualificação para a UEFA Champions League. Entre os jogadores que fazem parte deste ambicioso conjunto, os holofotes estão, naturalmente, apontados a um nome português: {PLAYER_LINK|525485|Cláudio Braga}. Apesar da presença de jogadores como {PLAYER_LINK|753276|Eduardo Ageu} e {PLAYER_LINK|675856|Amadou Ba-Sy}, que também passaram pelo futebol luso, é o avançado de 26 anos quem concentra maiores atenções. Antes do apito inicial do encontro desta quinta-feira, agendado para as 20h, o zerozero decidiu revisitar o percurso do ponta de lança / extremo esquerdo, puxando a fita atrás e recuperando a entrevista concedida pelo próprio ao nosso portal - em janeiro deste ano, numa altura em que o clube estava em grande plano. «O futebol escocês surpreendeu-me bastante» Apesar de ter construído um percurso pouco habitual no futebol internacional - saiu do Vila Meã (Campeonato de Portugal) em 2022 para assinar pelo Moss (terceira divisão da Noruega) -, o avançado evoluiu a olhos vistos, subiu vários patamares e é, neste momento, um dos jogadores mais acarinhados do Hearts, emblema que representa desde o ano passado. Quantos atletas podem dizer que passaram pelas divisões inferiores do futebol português, vestiram as camisolas de Valadares Gaia, CD Fátima e SC Ideal, rumaram à Escandinávia e, em pouco tempo, se tornaram uma das estrelas de um clube histórico da Escócia? A estreia em solo escocês correu de feição, com 17 golos e três assistências em 44 jogos realizados em todas as competições, números que lhe valeram a eleição como melhor jogador do campeonato. Ainda assim, o rendimento individual não foi suficiente para conduzir o Hearts ao primeiro lugar da Scottish Premiership, que acabou por escapar na jornada decisiva, após uma derrota por 3-1 frente ao Celtic. {CITACAO|DIR|And so you know, we'll always care, and we'll complain when you're not there. You have the pace, you have the power, you're yet to have your finest hour. All we need is Cláudio Braga|Cântico dos adeptos dos Hearts} «Golos? Quando o clube está bem, torna-se naturalmente mais fácil. O Hearts chegou a ser a equipa com mais golos apontados na Scottish Premiership e isso também contribui para os meus números. Os meus colegas têm muita qualidade, a bola chega-me com facilidade. Acima de tudo, estou aqui para fazer o meu trabalho [risos], é para isso que me pagam. Não esperava ter um impacto tão grande no início. Sabia que era capaz, mas existia sempre algum receio devido à mudança de realidade, intensidade e país», referiu na altura ao zerozero. «O Hearts tem condições incríveis. O futebol escocês surpreendeu-me bastante em vários aspetos: a atmosfera é fora do normal. Basta passar a bola para trás que os adeptos ficam impacientes, já querem que a bola siga para a frente. Sente-se que as pessoas vão ao estádio para assistir a um espetáculo. Os jogos não param, é sempre a andar», disse ainda, antes de continuar com os elogios. «Em termos de infraestruturas, diria que se equipara a um SC Braga. Tenho todas as condições. Não coloco ao nível de FC Porto, Benfica ou Sporting, até porque os estádios são maiores. O nosso recinto está sempre cheio, com cerca de 20 mil espetadores.» Todos estes ingredientes, aliás, contribuíram para a criação de um cântico dedicado a Cláudio Braga, que rapidamente ultrapassou fronteiras. «Nunca tinha visto uma música ser cantada para um jogador com tanta insistência. Pode acontecer uma ou duas vezes, mas, se o rendimento não for bom, as músicas desaparecem rapidamente. Acredito que faço as coisas bem, dou tudo pela equipa, e isso foi algo que me foi incutido desde muito novo. Dou sempre o máximo em todos os jogos. Quando os encontros terminam, fico tranquilo porque sei que dei tudo. Consigo dormir descansado à noite [risos].» «É um bocado estranho voltar a Portugal...» Agora, o foco passa por tentar continuar na Liga Europa. Para tal, será necessário ultrapassar o Benfica. Em entrevista à Sport TV, o avançado português anteviu a partida e falou sobre o sentimento de regressar ao seu país.{EPOCA|ESQ|JOG|525485|0|0|1106|0|1} «Agora é um bocado estranho voltar a Portugal para jogar uma Liga Europa. É um sentimento estranho, no sentido em que há pouco tempo estava aí. Não dava nada por mim, mas tenho de ser muito grato por estar a voltar nestas circunstâncias. Se marcar? Vou festejar bastante, estará muita gente que conheço a ver. Como português, regressar ao meu país para defrontar qualquer clube seria um orgulho», explicou ainda, antes de sublinhar a ambição do Hearts: «O ano passado correu bem, no sentido de ninguém dar nada por nós para terminar no top 3. Isso acabou por acontecer. No futebol tudo é possível, continuo a acreditar nisso. Não vou para nenhum jogo para perder, nem com medo. Com respeito, claro, mas não vamos para o Estádio da Luz para sermos enxovalhados [risos]. Ainda estamos a dar os primeiros passos, pois têm existido muitas mudanças. Mas a ideia é a mesma: jogar um futebol ofensivo, em que não temos medo de arriscar.» Não sabemos qual será o desfecho desta quinta-feira, mas os adeptos em Lisboa terão a oportunidade de ver um avançado que chegou a estar nas cogitações da Seleção Nacional, depois de se destacar com insistência na Escócia.
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