A avançada «demasiado alta» que virou muralha campeã de África: a história de Michaely Bihina

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18-08-2026 21:16

Um penálti defendido aos 118 minutos. Três grandes penalidades travadas no desempate. Uma baliza inviolável na final. E, no fim, Camarões campeões africanos pela primeira vez. {PLAYER_LINK|997271|Michaely Bihina} foi decisiva em praticamente todos os momentos que marcaram a caminhada das Lionesses Indomptables no CAN 2026 e terminou a competição com o prémio de melhor guarda-redes do torneio. Aos 22 anos, a guarda-redes do Benfica foi muito mais do que uma especialista em defender remates. Foi a segurança de uma seleção que eliminou a Nigéria, afastou Marrocos em casa e, finalmente, ultrapassou o peso de três finais perdidas para conquistar um título inédito. Ao longo da competição, sofreu apenas um golo (de penálti) e terminou com 19 defesas. Tudo começou longe da baliza A história de {PLAYER_LINK|997271|Bihina} começou longe dos grandes palcos africanos. Em Ekounou, uma zona de Yaoundé, a jovem {PLAYER_LINK|997271|Michaely} imaginava o futebol de outra forma. Começou como avançada, até que um treinador reparou numa característica que viria a mudar-lhe a carreira: a altura. A new chapter in goalkeeper history. Michaely {PLAYER_LINK|997271|Bihina} wrote it. 🇨🇲🌟#TotalEnergiesWAFCON2026 pic.twitter.com/5JObEpldGv — CAF Women Football (@CAFwomen) August 16, 2026 «Disse-me que era demasiado alta para ser avançada e que seria melhor como guarda-redes», contou, anos mais tarde. A mudança aconteceu e, apenas seis meses depois de trocar o ataque pela baliza, já estava a ser chamada à seleção dos Camarões. Uma decisão aparentemente circunstancial acabaria por definir toda a sua carreira. Aos 19 anos, atravessou o continente para continuar o percurso em Portugal. Chegou ao {TEAM_LINK|254416|Racing Power}, onde rapidamente deixou de ser apenas uma promessa. Em 2022/23, ajudou o clube a conquistar a Segunda Divisão e a subir ao principal escalão. Na época seguinte, já entre as melhores equipas do futebol feminino português, foi eleita a melhor guarda-redes da {EDITION_LINK|202087|Liga BPI}, apesar do terceiro lugar do {TEAM_LINK|254416|Racing Power}. O crescimento levou-a ao Benfica no início de 2026. O clube da Luz apostou na guarda-redes camaronesa e assinou um vínculo de três temporadas, numa mudança que {PLAYER_LINK|997271|Bihina} descreveu como «um sonho tornado realidade». Não precisou de muito tempo para transformar a oportunidade em troféus. Na primeira temporada em Lisboa, fez parte do plantel que conquistou o Campeonato e a Taça de Portugal - sendo que apenas alinhou por 19 minutos de águia ao peito -, completando uma dobradinha antes de partir para o grande desafio do verão: representar os Camarões no CAN. Chegava a Marrocos depois de uma época de afirmação em Portugal, mas o que aconteceu na competição africana elevou-a para outro patamar. A noite em que derrubou a Nigéria Na primeira jornada, diante do Mali, Bihina sofreu o único golo que viria a encaixar durante toda a competição e de grande penalidade. A partir daí, fechou a baliza. O primeiro grande teste surgiu nos quartos-de-final. Do outro lado estava a sempre poderosa Nigéria, campeã africana em título e um adversário que há décadas atormentava os Camarões. Era, além disso, uma rivalidade com uma enorme carga histórica: as nigerianas tinham vencido as camaronesas nas finais de 2004, 2014 e 2016. Bihina respondeu com uma exibição monumental. Fez nove defesas, um recorde numa só partida em fases finais do CAN, e ajudou os Camarões a vencer por 1-0. A vitória colocou a seleção nas meias-finais e garantiu, simultaneamente, o regresso ao Mundial, pela primeira vez desde 2019. 🧤🇨🇲 Michaely Bihina said she told herself she would finish as the best goalkeeper at WAFCON 2026, and she delivered. The 22-year-old, playing in her first international tournament with Cameroon, leaves as the tournament’s best goalkeeper. 👏 pic.twitter.com/yPHYg9R6JP — CHINEMEREMMA ACTIVE 🦅 (@CHINEMEREMMA993) August 16, 2026 «Tínhamos um objetivo: mudar a história da nossa seleção, especialmente contra a Nigéria», explicou depois do encontro. O significado daquela noite não passou despercebido. Quando as estatísticas de Bihina apareceram no ecrã do estádio, os adeptos levantaram-se para a aplaudir. Nas bancadas, ouviam-se cânticos com o nome da guarda-redes. No relvado, {PLAYER_LINK|536188|Christy Ucheibe}, sua antiga colega no Benfica e internacional nigeriana, fez questão de a abraçar e felicitar. No entanto, se contra a Nigéria Bihina tinha sido decisiva, frente a Marrocos tornou-se protagonista absoluta. A meia-final foi equilibrada e chegou aos minutos finais sem golos. Já no prolongamento, aos 118 minutos, as anfitriãs tiveram uma oportunidade de ouro para chegar à final. {PLAYER_LINK|843708|Fatima Tagnaout} assumiu a responsabilidade da grande penalidade. Bihina lançou-se para a direita e defendeu. «Quando defendi o primeiro penálti durante o jogo, pensei que, se fôssemos para os penáltis, conseguiria fazer mais. Disse a mim própria que tinha de defender pelo menos três», revelou. O jogo foi mesmo para o desempate. E a guarda-redes do Benfica cumpriu a promessa. Travou três grandes penalidades marroquinas, de {PLAYER_LINK|740274|Kenza Chapelle}, {PLAYER_LINK|971706|Maryame Atiq} e {PLAYER_LINK|653841|Sakina Ouzraoui}, e ajudou os Camarões a vencer por 3-1. A exibição valeu-lhe novamente o prémio de melhor jogadora em campo. Mais importante, colocou os Camarões numa final do CAN pela primeira vez desde 2016. Finalmente, o título Restava um último obstáculo: o Malawi. Depois de três finais perdidas, os Camarões tinham finalmente a oportunidade de conquistar pela primeira vez a competição. E não deixaram escapar a ocasião. As Lionesses Indomptables venceram por 3-0 e fizeram história. Na baliza, Bihina voltou a não sofrer golos. Terminou assim o CAN com cinco jogos disputados, 19 defesas e apenas um golo sofrido de penálti, frente ao Mali. Na fase a eliminar, manteve sempre a baliza inviolável. Foi uma das principais razões para os Camarões chegarem ao título e, naturalmente, recebeu a distinção de melhor guarda-redes do torneio. «Eu tinha prometido a mim própria que seria a melhor guarda-redes deste torneio. Consegui. Estou muito feliz», afirmou. O sucesso de Bihina também a coloca numa linhagem importante. Os Camarões construíram parte da sua reputação futebolística através dos guarda-redes, com nomes como Thomas N'Kono, {PLAYER_LINK|27971|Joseph-Antoine Bell}, {PLAYER_LINK|332488|André Onana} ou {PLAYER_LINK|134773|Fabrice Ondoa}. «É uma honra estar na mesma frase que estes grandes guarda-redes que representaram o nosso país», admitiu. A comparação não é apenas simbólica. Bihina começa agora a construir o seu próprio lugar nessa história e, sobretudo, a tornar-se uma referência para uma nova geração de futebolistas camaronesas. A história que começou com um treinador a dizer-lhe que era demasiado alta para jogar na frente acabou com Bihina a levantar a maior taça do futebol feminino africano. Aos 22 anos, já é campeã portuguesa, vencedora da Taça de Portugal e campeã africana. Tem contrato com o Benfica até 2029 e acaba de completar um torneio que a colocou definitivamente no mapa do futebol feminino internacional.