O berço da Civilização Ocidental é hoje uma fábrica de talentos: falamos da Grécia

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24-09-2026 12:23

Berço da Civilização Ocidental, a Grécia deu ao mundo a democracia, o dom da oratória e pilares políticos e sociais que nos definem até hoje. Foi também ali que as artes se transformaram e o desporto iniciou uma tradição que viria a tornar-se secular com os Jogos Olímpicos. Agora, o país que tanto ofereceu ao mundo apresenta uma geração singular de craques, que promete dar que falar nos próximos anos. Ao longo dos anos, chamar «geração de ouro» a um grupo promissor de jogadores provou ser mais um estigma do que um sinal de bons presságios. Longe de nós desejar outra coisa que não o sucesso de quem ambiciona grandes feitos na carreira. Mas é preciso falar da «geração de ouro» da Grécia, que será colocada à prova num novo patamar a partir desta semana. Sem disputar um Mundial desde 2014, a Grécia não entusiasma tanto os adeptos desde a equipa de {PLAYER_LINK|2682|Zagorakis}, {PLAYER_LINK|2686|Katsouranis}, {PLAYER_LINK|3135|Charisteas}, {PLAYER_LINK|2025|Karagounis} e companhia, que conquistou a Europa em 2004 à custa de Portugal. Em março do ano passado, uma exibição sublime de Giannis {PLAYER_LINK|668049|Konstantelias} e a participação decisiva de Karetsas e Tzolis fizeram a Grécia bater a Escócia, em Glasgow, e conseguir, pela primeira vez na história, o acesso à fase principal da Liga das Nações. Os gregos estão no Grupo 2, com Alemanha, Países Baixos e Sérvia. Apesar da dificuldade dos adversários, o novo ciclo, com a mira no Mundial de 2030, começa com esperança na Grécia. Não apenas pela possibilidade de competir com as grandes potências do continente, mas também pelo poder ofensivo da equipa e pela geração que ganha protagonismo nas principais ligas da Europa. {IMGFULL|ESQ|1559686|Grécia supera a Escócia e vai para a elite da Nations} Se {PLAYER_LINK|668049|Konstantelias} recupera de uma rotura do ligamento cruzado e só aparecerá mais à frente nas convocatórias, o selecionador {COACH_LINK|5190|Ivan Jovanovic} tem nomes de peso na sua primeira chamada para o novo ciclo. A começar por um trio presente na eleição do Golden Boy. Christos {PLAYER_LINK|1026137|Mouzakitis} venceu o Golden Boy na votação popular na época passada após uma campanha segura pelo {TEAM_LINK|136|Olympiacos}. Médio de apenas 19 anos, natural de Atenas, Mouzakitis participou na promoção grega na Nations League e já soma 11 jogos pela seleção principal. Depois de um sucesso precoce no futebol grego, Mouzakitis é uma das apostas do recém-promovido à Premier League, {TEAM_LINK|5096|Hull City}. O grego chegou já no final da janela, por 15 milhões de euros, e estreou-se frente ao {TEAM_LINK|91|Sunderland}, na Taça da Liga. Outro nomeado é {PLAYER_LINK|1064213|Konstantinos Karetsas}, e aí está um dos nomes mais talentosos da geração. Karetsas destacou-se pelas assistências na última época belga: foram 15 pelo {TEAM_LINK|1776|Genk}. O suficiente para o jovem dar o salto para a Bundesliga. Juntou-se ao compatriota Konstantelias no Signal Iduna Park e, apesar de também ter sofrido uma lesão, já recuperou e entrou na lista de Jovanovic. O adolescente, de 18 anos, já soma 10 jogos, 3 golos e 1 assistência pela Grécia e é visto como mais uma joia que o Dortmund procura lapidar na sua máquina de talentos. O terceiro nome é {PLAYER_LINK|1026124|Kostoulas}, que foi uma das figuras da Premier League no fim de semana, com golo e assistência contra o Arsenal. O avançado de 19 anos já soma 4 golos e 2 assistências em 8 partidas esta época e é um dos protagonistas das {TEAM_LINK|2601|Seagulls}. Comprado na época passada ao {TEAM_LINK|136|Olympiacos}, Kostoulas ainda procura os primeiros golos pela seleção grega e, certamente, encontrará espaço neste ciclo rumo ao Mundial de 2030. O avançado é um dos nomes do forte ataque grego. Outro nome ofensivo da «geração de ouro» grega no futebol inglês é {PLAYER_LINK|668059|Christos Tzolis}. Líder em participações para golo na Liga Belga pelo {TEAM_LINK|145|Club Brugge}, com uns impressionantes 29 passes decisivos, Tzolis custou 40 milhões de euros ao Arsenal. E o valor parece uma pechincha... O grego teve um grande início de temporada nos {TEAM_LINK|75|Gunners}, já soma quatro assistências e ganhou espaço entre os titulares. Apesar de ainda ter 24 anos, já soma 34 jogos, 9 golos e 3 assistências pela seleção grega. Golos não faltam... Além de médios jovens e extremos muito habilidosos, que entregam assistências, a seleção grega tem muita força ofensiva em avançados capazes de marcar muitos golos. A começar pelo seu número 9: {PLAYER_LINK|459841|Vangelis Pavlidis}. nosso bem conhecido do Benfica, é um dos principais marcadores do futebol europeu neste arranque de época. {EPOCA|ESQ|JOG|459841|0|0|0|0|0} Mais experiente do que os nomes referidos até aqui e já com mais de 50 jogos pela seleção grega, Pavlidis foi o primeiro a atingir os dois dígitos de golos na época europeia e soma, até agora, 14 golos em 13 jogos pelo {TEAM_LINK|4|Benfica}. Nas últimas três épocas, marcou sempre pelo menos 30 golos em cada uma. Com os mesmos 27 anos, surge como opção {PLAYER_LINK|585793|Tasos Douvikas}. O avançado marcou 14 golos na histórica campanha que colocou o {TEAM_LINK|61|Como} na Liga dos Campeões e participou, com golo, na estreia com goleada sobre o Leipzig. Ioannidis, de 26 anos, não conseguiu repetir a época de 23 golos e 10 assistências pelo Panathinaikos em Portugal (Sporting) e tem muito menos destaque do que Pavlidis em Lisboa, mas continua a ser uma terceira opção interessante no comando de ataque. Experiência na defesa Na defesa, a Grécia conta com nomes mais experientes, apesar de ter um jovem defesa de apenas 22 anos: {PLAYER_LINK|754567|Koulierakis}. Defesa esquerdino, ganhou projeção na Bundesliga pelo Wolfsburg e foi transferido para a Roma, onde ainda procura espaço. Konstantinos {PLAYER_LINK|689748|Tzolakis}, de 23 anos, é uma aposta para a renovação na baliza. O jogador tem 23 anos e, depois de duas épocas de destaque no Olympiacos, foi transferido para o {TEAM_LINK|5096|Hull City}, já sendo titular na Premier League. A titularidade na baliza, no entanto, continua a pertencer a Odysseas {PLAYER_LINK|197106|Vlachodimos}, que entra na sua segunda época em La Liga e é titular do Sevilla. Vlachodimos destacou-se em Portugal pelo Benfica e ainda representou Nottingham Forest e Newcastle na Premier League. Na linha defensiva, {PLAYER_LINK|539401|Kostas Mavropanos} também atua ao mais alto nível há já algum tempo. Formado no Arsenal, o central já jogou na Bundesliga e atualmente está no {TEAM_LINK|94|West Ham}, com um arranque de época goleador: são 4 golos em 9 jogos, o último no dérbi do fim de semana contra o {TEAM_LINK|2606|Millwall}. Kostas {PLAYER_LINK|423457|Tsimikas}, lateral esquerdo já com 30 anos, também joga em Inglaterra, mas na elite. O defesa representa o {TEAM_LINK|85|Liverpool} desde 2020, com uma breve passagem na época passada por empréstimo na Roma. Vagiannidis (25), o lateral do outro lado, conseguiu sete assistências na época passada pelo Sporting, mas vive um arranque de temporada mais discreto em Portugal, com apenas quatro jogos e algumas partidas no banco sem sair. Anagennisi - o renascimento do futebol grego Se a equipa de 2004 tinha por base figuras já mais experientes, a atual seleção grega tem uma base jovem muito forte. E ainda conta com novas promessas na fila, com ambição de fazer parte deste ciclo. Na fase de qualificação para o Europeu sub-21, a Grécia divide a liderança do grupo com a Alemanha, com direito a vitória sobre os alemães fora de casa. {PLAYER_LINK|914948|Stéfanos Tzímas} (20) e {PLAYER_LINK|1026124|Charalampos Kostoulas} (19), avançados do {TEAM_LINK|2601|Brighton}, são destaques ao lado de {PLAYER_LINK|754574|Koutsias}, que começou a época com 5 golos em 7 jogos pelo {TEAM_LINK|2175|Famalicão}, em Portugal, e também ambiciona chegar à seleção principal. {PLAYER_LINK|1251455|Kontouris}, do Panathinaikos, é visto como um médio com muito potencial, embora ainda não esteja pronto para o mais alto nível. A presença de jovens promissores não é mera sorte geracional. A Federação Grega lançou nos últimos anos o projeto Anagennisi, que significa renascimento. A iniciativa redesenhou o futebol de formação no país, com foco em crianças e jovens dos 6 aos 14 anos. Foi definida uma «Identidade Grega Unificada» para orientar o desenvolvimento do talento em clubes amadores e profissionais. Ela estabelece diretrizes, desde a proibição do uso da cabeça nos escalões mais jovens até à forma como a equipa deve construir jogo desde a defesa com passes curtos, sem pontapés longos dos guarda-redes, privilegiando um jogo apoiado. O guia, que segundo a federação local já chegou a 95% das regiões do país, incentiva o uso de fintas e dribles, reforça a criação de triângulos de passe e redefine a participação do guarda-redes, mais protagonista no processo ofensivo. A federação alargou ainda o seu âmbito na procura de novos talentos, estruturando uma metodologia para o mapeamento de novas promessas. Para que tudo funcione, são enviados coordenadores regionais e treinadores para observar o dia a dia dos clubes locais. Não por acaso, a palavra que se repete quando falamos da «geração de ouro» da Grécia é talento. Ao longo dos anos, isso nunca faltou ao lugar que é o berço da nossa civilização ocidental.